sábado, 9 de abril de 2011

Partos na Holanda

Aqui na Holanda, considerada um modelo de desnvolvimento e frequentemente classificada no topo dos rankings no que aos cuidados de saúde diz respeito, cerca de 25% a 30% dos partos ainda se realizam em casa (!). E, pior que isso, o próprio sistema promove esta prática, fazendo passar a ideia de ser uma escolha melhor e que partos no Hospital (blasfémia!) só em casos medicamente justificados (de facto as companhias de seguro seguem esta regra). Argumentando contra os cépticos, dizem que em caso de complicações, rapidamente as grávidas serão transferidas para o hospital.

Acontece que o mundo real não é bem assim: complicações acontecem e ir para o hospital de urgência a meio do trabalho de parto não se afigura uma experiência nada simpática (tivemos alguns relatos assustadores). Mais, significa que a utilização de analgésicos está fora de questão. Pior que tudo, o parto é feito por uma "midwife", que, apesar de ter formação e experiência no acompanhamento de partos, não tem formação médica. Ou seja, estará em princípio pouco habilitada a avaliar potenciais riscos. E com isto não se brinca.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Toxoplasmose

No sistema de saúde Português (e, imagino, na maioria dos sistemas europeus), o teste de imunidade à toxoplasmose faz parte da praxe. Trata-se de uma infecção que em geral não acarreta riscos, mas que na gravidez pode causar problemas.

Ora acontece que este teste (tal como muitos outros) não se efectua naquele que é considerado o melhor sistema de saúde do mundo - o da Holanda. A razão, dada pelos médicos, é de que não vale a pena efectuar o teste porque quase toda a população é imune (!), ou seja, já tiveram a doença. E de facto o seguinte artigo refere números na ordem dos 80%.

Interessante informação; em Portugal a maior parte não é imune.

E pergunta-se, porquê estes números? Evidentemente se se pergunta, então não conhece a realidade deste país. Um país onde os hábitos de higiene roçam o ridículo, onde esfregar uma maçã nas calças é forma de limpeza suficiente, onde o lixo é recolhido de quinze em quinze dias, onde nos cafés e restaurantes os copos sujos são simplesmente mergulhados numa bacia com água e algum detergente, onde a ASAE teria muito trabalho... Infecções como a Toxoplasmose têm aqui muito potencial.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Geração à rasca ou mal habituada?

Até agora evitei incluir no blog referências de índole política, religiosa ou futebolística (que também é religiosa). Não porque não tenha as minhas próprias convicções (e tenho-as!) mas porque queria evitar ferir suscetibilidades e porque respeito quem pense de forma diferente. Este blog é um relato da nossa aventura, não um local para expressar a minha opinião.

Mas as circunstâncias atuais a que o nosso país chegou obrigam-me a esquecer por um momento este princípio. E assim sendo não resisti a publicar este desabafo (de um autor desconhecido). Não defende ideologias políticas. E acho que Portugal teria muito mais a ganhar se mais pessoas pensassem assim...

A geração dos meus pais não foi uma geração à rasca. Foi uma geração com capacidade para se desenrascar. Numa terriola do Minho as condições de vida não eram as melhores. Mas o meu pai António não ficou de braços cruzados à espera do Estado ou de quem quer que fosse para se desenrascar.

Veio para Lisboa, aos 14 anos, onde um seu irmão, um pouco mais velho, o Artur, já se encontrava.

Mais tarde veio o Joaquim, o irmão mais novo. Apenas sabendo tratar da terra e do pastoreio, perdidos na grande e desconhecida Lisboa, lançaram-se à vida.

Porque recusaram ser uma geração à rasca fizeram uma coisa muito simples.

Foram trabalhar.


Não havia condições para fazerem o que sabiam e gostavam.

Não ficaram à espera.

Foram taberneiros.

Foram carvoeiros.

Fizeram milhares de bolas de carvão e serviram milhares de copos de vinho ao balcão.

Foram simples empregados de tasca.

Mas pouparam.

E quando surgiu a oportunidade estabeleceram-se como comerciantes no ramo.

Cada um à sua maneira foram-se desenrascando.

Porque sempre assumiram as suas vidas pelas suas próprias mãos.

Porque sempre acreditaram neles próprios.


E nós, eu e os meus primos, nunca passámos por necessidades básicas.

Nós, eu e os meus primos, sempre tivémos a possibilidade de acesso ao ensino e à formação como ferramentas para o futuro.

Uns aproveitaram melhor, outros nem tanto, mas todos tiveram as condições que necessitaram.

E é este o exemplo de vida que, ainda hoje, com 60 anos, me norteia e me conduz.


Salvaguardadas as diferenças dos tempos mantenho este espírito. Não preciso das ajudas do Estado.

Porque o meu pai e tios também não precisaram e desenrascaram-se.

Não preciso das ajudas da família que também têm as suas próprias vidas.

Não preciso das ajudas dos vizinhos e amigos.

Porque o meu pai e tios também não precisaram e desenrascaram-se.


Preciso de mim.

Só de mim.

E, por isso, não sou, nunca fui, de qualquer geração à rasca.

Porque me desenrasco.

Porque sempre me desenrasquei.


O mal desta auto-intitulada geração à rasca é a incapacidade que revelam.

Habituados, mal habituados, a terem tudo de mão beijada.

Habituados, mal habituados, a não precisarem de lutar por nada porque tudo lhes foi sendo oferecido. Habituados, mal habituados, a pensarem que lhes bastaria um canudo de um qualquer curso dito superior para terem garantida a eterna e fácil prosperidade.

Sentem-se desiludidos.


E a culpa desta desilusão é dos "papás" que os convenceram que a vida é um mar de rosas.

Mas não é.

É altura de aprenderem a ser humildes.

É altura de fazerem opções.

Podem ser "encanudados" de qualquer curso mas não encontram emprego "digno".

Podem ser "encanudados" de qualquer curso mas não conseguem ganhar o dinheiro que possa sustentar, de imediato, a vida que os acostumaram a pensar ser facilmente conseguida.

Experimentem dar tempo ao tempo, e entretanto, deitem a mão a qualquer coisa.

Mexam-se.

Trabalhem.

Ganhem dinheiro.


Na loja do Shopping. Porque não?

Aaaahhh porque é Doutor...

Doutor em loja de Shopping não dá status social.

Pois não.

Mas dá algum dinheiro.

E logo chegará o tempo em que irão encontrar o tal e ambicionado emprego "digno".

O tal que dá status.


O meu pai e tios fizeram bolas de carvão e venderam copos de vinho. Eu, que sou Informático, System Engineer, em alturas de aperto, vendi bolos, calças de ganga, trabalhei em cafés, etc.

E garanto-vos que sou hoje muito melhor e mais reconhecido socialmente do que se sempre tivesse tido a papinha toda feita.


Geração à rasca?

Vão trabalhar que isso passa.


À rasca, mesmo à rasca, também já tenho estado.

Mas vou à casa de banho e passa-me.

sábado, 26 de março de 2011

Visita da Filipa e Hugo, dia II

Amesterdão. Um percurso um pouco diferente do habitual: Haarlemmerstraat, rua cheia de lojas, cafés e restaurantes típicos e diferentes, anéis dos canais, negen straatjes. Usamos e abusamos dos "pit-stops" - almoço, café na loja portuguesa, tarte de maçã no famoso Cafe Winkel e por aí fora.

Jantar num restaurante Tailandês (primeira vez para todos!). E casa!

sexta-feira, 25 de março de 2011

Visita da Filipa e Hugo, dia I

Chegou hoje a auto-intitulada "visita real". O carro foi para mudar a correia de distribuição e voltou a fazer um barulho suspeito. Pelo sim pelo não vamos usar o comboio... Amanhã Amesterdão, depois logo se vê.

terça-feira, 1 de março de 2011

Promoção!

Numa nova orgânica da Bosch Security Systems, fui convidado a liderar o recém-criado "cluster" de software. Vou estar à frente de uma equipa de dez engenheiros; é uma experiência nova para mim, sem dúvida desafiante e que vai de encontro às minhas ambições de carreira. É muito bom ser reconhecido! (pena que em Portugal isso seja tão raro...)

Senhorios

Na primeira casa foi a invasão de propriedade. Pelo menos por duas vezes aconteceu, da primeira foram lá colocar uma placa para venda (também sem autorização) e da segunda para mostrar a casa a uns potenciais compradores.

Na segunda casa foi a desconsideração. Nem por uma vez conhecemos o senhorio, tudo foi tratado através da agência. O pior foi quando devolvemos a casa. Já receávamos algo fosse correr mal. Entregamos a casa em bem melhor estado do que a recebemos. Mas nem isso demoveu o senhorio de nos tentar usurpar dinheiro. Nem o facto de termos pago, durante dois anos e meio, a casa bem acima do valor de mercado (e agora vai ser alugada por menos!). Não, estes senhores fazem de tudo para sacar uma notinha. Infelizmente não pudemos recorrer à técnica de "usar o depósito para pagar as últimas rendas", porque eram duas e só avisámos com um mês de antecedência. Desconfio que reaver os dois meses não se afigurará fácil...